sábado, 29 de maio de 2010

Arrependimento surpresa

Há muito tempo escutou mágoas saindo de certa boca. Reclamações para um e decepção para outro. O outro se desculpou imediatamente, passou meses se culpando, perguntando aonde havia errado. Para não ser motivo de irritação mudou-se por completo, medindo sempre seus atos e palavras. Em seguida afastou as mágoas e a boca. Afastou tanto que esqueceu, mas as dores continuavam na lembrança.
Tempos depois a boca volta a se pronunciar por meio de outra. 'Foi tão vergonhoso que não conseguiu falar por si', alegou. Arrependimento, desculpas e desejo de uma (re)aproximação foram repetidamente pedidos.
Não consegue guardar mágoa ou rancor. Não por falta de motivos, mas sim por não querer marcar em si sentimentos ruins. Pode parecer desapego ou indiferença, mas é apenas um método para evitar cargas pesadas em um peito tão pequeno. Não, o peito não é frágil. Apenas não irá levar peso desnecessário.
Errou sim, pelo menos agora sabe não ter sido sozinho. Ambos foram, um demorou mais a perceber. Normal. 'É tarde demais para você?', o telefone sem fio humano pergunta. E sinceramente não é tarde demais. O peito é pequeno mas sempre com uma capacidade ilimitada para perdão e compreensão. Porém há uma consequência: a confiança não será a mesma até provar valer a pena o risco.

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