Eu começaria assim: com presença amiga, confiando minha vida, contando o que me aflinge de um jeito cativante e não triste. Provavelmente fazendo piadas a respeito, lado meu que não conseguia mostrar antes por medo mesmo.
Depois tentaria abrir espaços maiores, sorrisos mais largos até nos dar conta que podemos sim aproveitar de outro jeito a companhia da outra. Talvez você já tenha visualizado isso antes, mas eu, ocupada demais tentando evitar as dores passadas, não pude enxergar.
Então com um tempo razoável esse sentimento sem descrição iria embora pra sempre. Essa âncora que carrego com o seu nome. Não seria querer e muito menos reconquista, mas com certeza estaria dentro de tudo aquilo que reprimi por tanto tempo. Bem, tudo aquilo que escondi de você e depositei as mágoas aqui. Não queria que você visse o meu sofrimento... por maior e horrível ele tenha sido. Não entendo também minha vontade de compartilhar isso justo agora que não temos absolutamente nenhuma conexão, porém é mais uma daquelas coisas que preciso fazer e me sentir aliviada.
Não tenho a menor idéia de como será sua reação, não pretendo nem tentar imaginar como seria um reencontro, não sei o que poderia mudar em nossas vidas, mas... acho que já passou da hora de tentar algo novo, já que a fase de se distanciar passou. Sinto que se ao menos tentássemos criar uma nova relação amigável - algo saudável e sustentável - talvez assim passasse esse meu medo de lembrar do passado, de você, do que se foi.
Criar algo bom daquilo que doeu tanto.
Antes eu tinha medo de conversar contigo, de me expor de verdade, de saber as coisas que passam na sua mente. Hoje já não tenho mais. E aquela ansiedade de uma resposta, o nervoso de te ver, o despertar da agonia, tudo isso se foi. Restando apenas compreensão e tranquilidade. Afinal, você não é mais aquela pessoa, não é mesmo? Do mesmo jeito que eu também não sou.
Acho que está na hora de nos conhecermos mais uma vez, só que agora sem lágrimas pra derramar no final.
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