sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Muletas humanas

Quando você se foi, eu não tive medo.
Sabia que você voltaria e, mais importante, logo. 
Estava ocupada demais sendo feliz por você. 
Não notei sua ausência.
Notei os espaços que você preenchia
tanto em mim quanto ao redor do mundo.

Quando você se foi, eu me senti normal.
Não desesperei.
Por um tempo até pensei ser fria e indiferente.
Isso me preocupou... a ausência da saudade extrema.
Tinha tanta certeza que nosso laço era tão forte 
que seria arrebatador sua ida. 
Mas não foi. 

Quando eu permaneci, notei que sei viver sem você.
A saudade não me fez chorar.
Os dias passaram iguais.
As felicidades aconteceram, e as tristezas também.
Descobri que tenho o poder de decidir
quem entra e quem sai de minha vida e de minhas emoções.
Criei uma certa independência.

A vida ordinária seguiu sem você.

Sim, minha vida pacata seguiu por si só.
Sem grandes companhias.
Sem grandes momentos.

E foi aí que notei a sua falta.

Com você, minha vida é extraordinária.
Com você, eu não me sinto só.
Com você, eu tenho um porto seguro.
Tenho uma bússola.
Tenho muletas.
Tenho a prova concreta de ainda existir o que tanto procuro no mundo,
sintonias e laços incríveis, que não deixam a dúvida
de o amor realmente ser maior.

Obrigada pela sua partida.
Obrigada pelo seu retorno.
E mais do que isso:
obrigada pela certeza de sua permanência.


Dedicado para duas entre algumas melhores pessoas que irei conhecer,
Júlia e Rebeca.

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