quarta-feira, 20 de março de 2019

Carta Desfecho

Desde sexta retrasada quando concordamos em conversar sobre a gente depois do carnaval e da poeira de nossas vidas baixarem eu tento não pensar, mas acho que é um assunto importante demais pra minha cabeça deixar pra lá. Todas as noites antes de dormir me vinha a necessidade de refletir sobre isso. E todas as vezes essa reflexão veio com um certo pesar e com certas lágrimas. Talvez por saber que a conclusão seria oposta ao que eu quero de verdade. Parte também por ter relembrado o passado e comparado ao presente e perceber que muitos sentimentos são parecidos, apesar de agora a situação ser diferente.

Toda vez que estamos perto ou que temos o menor contato, seja alguma mensagem sua ou a menor demonstração de afeto, e você desperta outros sentimentos, acabo me esquecendo o que senti no passado. Eu realmente te perdoei, porém as lembranças me fizeram recordar vividamente vários motivos para repensar o agora e me proteger. Quando assisti The Holiday, tudo que fiz questão de apagar veio a tona. Provavelmente porque eu assistia esse filme por 5 anos e lembrava de você. Não é a toa que a música tema principal é uma das 'nossas'. Só que a lembrança que eu associo você é ao sentimento de ter sido rejeitada, do amor não correspondido e de como eu desejava que você percebesse o que estava perdendo ao me deixar ir e de algum modo mágico fizesse por onde para sermos 'nós'. Eu lembro que o aperto no peito doía ao ponto de eu chorar. Lembro que imaginar você namorando a pessoa que havia me traído e dito que ele era 'apenas sexo', me fez sentir extremamente pequena. Usada. Descartável. E o quanto eu desejava não estar apaixonada por você. Se alguém 'apenas sexo' é mais importante para permanecer por 4 anos, então eu nunca fui sequer o mínimo. Esse era o pensamento que carreguei por anos. A parte do filme onde os dois personagens, por maior que seja o obstáculo, se esforçam para estarem juntos me faz lembrar que isso não aconteceu - e provavelmente não acontecerá - conosco. E novamente me vejo apaixonada por alguém que não está disponível a estar comigo. A gostar o suficiente para permanecer. A finalmente me escolher. Quando a resposta óbvia deveria ser eu a única opção desejada.

Confesso que por todo esse tempo que estivemos juntas, tanto no final de 2018 quanto agora, eu quis - e nutri a esperança - que a nossa situação fosse como o da Isabella e da Poliana. Poliana não se aceitava de jeito algum, passou meses com a Isabella a tratando como ela não merecia e negando o relacionamento que elas tinham, para no final a Poliana buscar ajuda na terapia e perceber que ela amava a Isabella. Elas estão juntas até hoje. Como eu desejei que o nosso caso fosse como o delas, porém o delas é a exceção.

Entendo que você não queira esse peso agora de se assumir e provar que todos os 'motivos contras' que levantei para que não fosse possível o 'nós' não existissem mais, mas eu também não posso continuar fingindo que sei lidar com casualidade quando eu sei que eu quero você mais do que isso. Quando eu sei que não te quero casualmente, que te quero sempre. Te quis 5 anos atrás e aparentemente isso não mudou. Quando eu sei que não consigo deixar outras pessoas se aproximarem, por mais que eu tente e me force, porque é você que eu penso assim que eu acordo e assim que eu vou dormir. E é sua mensagem que espero durante o dia, e faz diferença quando não há nenhuma. Sua presença que espero ver na semana, e sinto que algo está faltando para ser completo. Seu beijo que espero ter, e tenho taquicardia e explosões dentro de mim. Quando não consigo apagar a pasta de fotos que compartilhamos desde quando voltamos a conversar. Eu continuo apaixonada por você. Continuo querendo te dar a chance de estarmos juntas. E acho que eu sou a única pessoa que de fato tem essa certeza e quer que estejamos juntas. Por isso é simplesmente incabível manter essa casualidade - nada casual, aliás - que temos. Porque eu te amo e quero ver até onde isso vai. E você por inúmeros motivos não pode me acompanhar. E eu não aguento mais viver sozinha essa nossa história. Lutar só. Querer só. Se entregar só.

Como a Eliza me disse: 'se existe um livro enorme e difícil de ler e você tem que passar por um teste sobre ele, é muito mais fácil quando alguém que já leu o livro te explica tudo e passa contigo a informação'. É a mesma coisa de passar por medos, principalmente o de se assumir. Eu já li o livro e já fiz o teste sobre ele, e estou aqui disposta a te ensinar e a te acompanhar, o que seria muito mais leve. Eu sei o meu lugar. Ninguém cura ninguém, podemos ser apenas auxiliadores, mas a verdadeira mudança e cura vem de dentro de cada um.

Jamais iria te pedir - ou esperar - que você desse uma chance a isso sem realmente querer, sem realmente ter certeza. Não te quero se o motivo de você ficar seja medo de me perder. Te quero se o motivo de você ficar for maior do que todos os medos. Se for te fazer feliz. Se for nos fazer feliz. Se for uma das poucas certezas que você tenha. E eu não acho que seja o caso. Os seus sumiços, suas tentativas de manter isso em controle e na casualidade, de procurar em outras pessoas e beijos a casualidade que não existe em nós e de me fazer sentir insuficiente para você, diz exatamente que você não quer confrontar isso de frente e sim fugir disso. Todos os motivos contras que enumerei e que você disse que só existiam porque você não era assumida. Eles não irão embora, não até você fazer algo a respeito. E se você não faz nada a respeito, eu tenho que fazer. Me afastar. Dar um basta, pois essa incerteza, insegurança, espera, falsa casualidade, não estão me fazendo bem. Eu mesma não consigo ser por completa a pessoa que eu seria em um relacionamento, pois fico me podando, diminuindo minhas ações para que não sejam amorosas o suficiente e você fugir. E acho que já esperei demais nesses 5 anos pra ver se você decide o que quer. Se você me escolhe. Você já teve tempo suficiente para decidir. Na verdade você já decidiu várias vezes ao não estar comigo antes e agora. Então se é isso que você demonstra querer, que seja assumido logo e que possamos seguir nossas vidas. Nós duas sabemos que eu preciso me desapaixonar por você, e seria ótimo se você me deixasse tentar. Eu já entendi que você quer estar solteira e quer aproveitar ainda a vida. Eu não vou ficar no caminho. Apenas não finja que quer estar na minha calmaria comigo.

Espero de verdade que você adquira um auto cuidado tão maravilhoso ao ponto de ser alguém cada vez melhor e mais saudável, em todos os aspectos de vida. E que finalmente você possa sair desse ciclo de auto sabotagem onde você se vê como uma péssima pessoa e acaba aceitando as ações prejudiciais à você que são originárias desse pensamento.Você pode mudar a qualquer momento. Basta se perdoar, se cuidar, se amar, e saber que você merece sim coisas melhores e não precisa se submeter a situações de risco. Saiba perceber o que te faz mal e o que te faz bem e nutra apenas o que te fizer bem. O que te fizer mal, porém ser necessário à sua existência - exemplo, ansiedade e estresse no trabalho - que você saiba criar alternativas para ser mais leve.

E se você realmente me amou em algum momento, por favor, não atrapalhe o meu caminho de superação. Se você não quer de fato estar comigo, não seja egoísta ao ponto de me manter perto apenas para seu bem estar. É contraditório demais dizer que me quer bem e se aproximar apenas para lembrar que você não me quer. Lembra que eu te amo. E sinto muito por não termos, em nenhuma hipótese real no momento, uma chance de sermos o nosso melhor para a outra. Então não use algo tão bonito dentro de mim - o meu carinho por você - em uma arma contra mim mesma. Se não dá pra você ser a melhor pessoa que já esteve comigo, não seja a pessoa a dificultar o caminho pra minha felicidade. 

Se fosse por mim, na minha escolha, eu escolheria o nós. No atual momento, por isso não ser possível, te aconselho a escolher então ser alguém sempre melhor - pra si mesma e pros outros.
Se cuida.
Se perdoe.
Se enxergue.
Se encare.
Se modifique.

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