terça-feira, 29 de julho de 2025

O silêncio que pesa


Tenho andado em círculos dentro de mim,
como quem procura um fim que já foi decidido.

As palavras que antes nos costuravam
hoje parecem agulhas,
pontiagudas demais para segurar qualquer tecido.

Você me olha, mas não me vê inteiro.
Desviei o olhar mil vezes, esperando um gesto,
mas seu toque agora parece cálculo,
como quem mede a distância antes do adeus.

Fui abrindo espaço no peito,
acomodando suas ausências,
desenhando limites para não invadir
o território do seu incômodo.
Mas a cada tentativa, o chão sumia —
e você sumia com ele.

Sim, dei tudo.
Não como barganha, mas como quem ama
e acredita que amar ainda vale.
Mas percebo:
a dúvida não mora em mim.
É em você que o eco ressoa mais alto,
é em você que a entrega virou peso,
é em você que as peças deixaram de se encaixar.

E eu não posso viver de quase,
nem de promessas ditas em silêncio.
Viver de liberdades parceladas
é se aprisionar em dores não navegadas. 

Então vá — se for pra ir.
Mas vá de verdade.
Ou fique — se for pra ficar.
Mas fique para transcender
o que já sou
e o que já fomos.

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