sigo abraçando ventos que desviam, na tentativa frustrada de preencher um abraço que — um dia — também buscou por mim.
minhas, até então, incansáveis esperanças de ter você por perto se dissolvem quando percebo que o cenário é o mesmo: caminho por nós sozinha, rumo a um despertar que enfim me abre os olhos e te encontra de costas.
os sinais ambíguos, os sentimentos confusos e não ditos, o silêncio que pesa, as ações que não se sustentam, o paradoxo, a rejeição, a falta do mínimo… seguem sendo o concreto que forma a sua base, sua estrutura de distâncias.
e isso me incomoda,
me arde,
me aperta,
me sufoca,
me esquenta o rosto
com lágrimas que eu achava já terem se resolvido — mas que transbordam ao reconhecer o segundo luto: o da impossibilidade de qualquer forma de nós.
porque eu já não consigo sustentar sozinha mais nada vazio que venha de você.
tinha todos os motivos para repetir velhos padrões e, como quem apaga um traço torto no papel, te apagar da minha vida.
acreditei que você seria exceção, que desta vez eu não precisaria lidar com o desamor de nós.
mas me enganei… assim como me enganei diante daquela omissão/mentira que partiu a imagem que eu tinha de você.
e o seu ego, ferido, me empurrando cada vez mais para longe — sem permitir espaço ao amor e ao respeito que existiam — fez o desgaste virar sua energia vital.
desgaste ao me ver ou ouvir, desgaste ao lidar comigo, cansaço ao existir, desgostosa...
até eu me tornar apenas pó aos seus olhos: sem serventia, sem necessidade, sem consideração.
enquanto eu nutria um afeto que, cegamente, suportava as muralhas erguidas pelos seus abraços de vento.
e se o que resta entre nós é uma fundação construída apenas
pelas minhas mãos, pelo meu amor e pela minha teimosia, enquanto do seu lado há
silêncio, desgaste e migalhas… o que poderia nascer além da superficialidade do
pó?
eu só queria sua consideração, a versão sua que conheci e que não imaginei que se perderia após a troca de nomes do que éramos.
porque eu segui sendo a mesma: a mesma torcedora, a mesma companhia, e — aparentemente — a mesma tola em esperar te ver lutar por nós.
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