segunda-feira, 22 de março de 2010

Nova

Um observador de olho no céu escuro admira sua imensidão, e nesse infinito se depara com milhões de estrelas. Umas brilham mais que outras, mas todas possuem seu potencial. Abobado com uma estrela em particular, via seu brilho cobrindo seus olhos e não importava se acabasse cego em sua luz. Talvez porque não queria olhar para tantas luzes ao mesmo tempo, com medo de machucar a vista, tenha se concentrado tanto naquela. Aí que existia o problema, diante de tantas estrelas, se cegou por uma que logo perdeu não só o brilho, mas o potencial.
Cego, se viu desesperado por um tempo. Porém não demorou muito até a sua vista voltar ao normal, e de novo olhou para a imensidão, contemplando a beleza que havia perdido nesse tempo de cegueira.
Novamente ao ver tantas estrelas, percebeu que uma brilhava lentamente, como se estivesse vindo ao encontro de seus olhos. Era um brilho diferente. Não era forte, não fazia doer a vista, mas era calorosa, chamativa. O observador então se viu perplexo. 'Como uma estrela com um brilho tão atraente, não faz meus olhos lagrimejarem?' Não tentou buscar por uma resposta, apenas gostou do fato e começou a admirá-la.
Gentil, seu brilho sorria. Sua lentidão ao brilhar era por sua timidez. Ambos simpáticos, sorriam e se falavam por olhares.
O observador mesmo podendo olhar para tanta imensidão, agora escolheu observar aquela estrela aparentemente comum, mas com um potencial diferenciado de todas as outras. Ela não brilhava para chamar atenção, ela chamava atenção pelo fato de brilhar por dentro. E agora ele - competente para enxergar - só tem olhos para a luz na imensidão que por tanto tempo esteve escondida, mas agora é a estrela que mais brilha em seu céu.

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