quinta-feira, 21 de junho de 2012

Um aceno, um lamento e uma conclusão

Por coincidência iriam se ver. Claro que por pura coincidência, pois esse evento não ocorreria por vontade de um lado e por orgulho do outro. Chegou a ansiedade; tentou se ajeitar o máximo possível; fingiu não se importar e foi lá fora. Os olhares se bateram e apenas acenos foram trocados. O peito, mesmo apertado, sorriu forçadamente com naturalidade. Enquanto o carro seguia seu rumo com pressa e sem se importar em olhar para trás, o forçado sorriso virou um olhar cabisbaixo. Seu celular vibra e chega uma mensagem daquele que segundos atrás dirigia velozmente. Uma mensagem parecendo ser feita por obrigação perguntando secamente se queria ir ao mesmo rumo. Querer não é poder; querer queria, e muito, porém não podia. Já estava na sua hora de voltar ao seu lar, afinal, não deveria ter saído à noite pra começo de conversa. E querer queria, e muito, porém sentia lá no fundo que iria se decepcionar novamente. Com toda a educação respondeu não poder ir, mas agradecia pelo convite. De fato gostaria de passar mais tempo - na verdade qualquer tempo que fosse - ao seu lado, mesmo se a vontade não fosse recíproca. Não obteve respostas, é claro. Enquanto ficou parada ali sozinha naquela rua não tão iluminada, pensou no quanto sentia a solidão. Estava sempre acompanhada, porém nunca sentindo alguma presença. Ficou se perguntando qual seria o seu problema e o motivo de aparentemente não estar completa. Sente a falta de alguém para ser um complemento, mesmo tendo essa necessidade de ser auto suficiente. Não se sentiu triste por gostar de alguém; por não ser correspondida ou por sofrer novamente por coisas que tantas vezes passou em sua vida. Sentiu-se triste por ter quase certeza de que será sozinha por um bom tempo, sem ninguém que irá aparecer para ficar e que não a veja como algo passageiro. A sorte de achar não um amor ou paixão, mas ao menos alguém que a valorize por ser quem realmente é. E o pensamento de o problema estar nela aumenta a cada capítulo. A diferença é que não deixará que isso a afunde mais uma vez. 
Por mais que queira alguém ao seu lado, não aceitará qualquer companhia. Não cometerá o mesmo erro de esquecer a sua própria existência para tentar acrescentar todas suas fibras em algo sem direção.

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