sábado, 30 de junho de 2012

Em 42 horas

Reavaliando o que foi dito e subentendido, realmente não existiram sinais. Talvez quisesse acreditar nas visões dos outros. Talvez quisesse criar expectativas, mas algo mudou. Uma dificuldade (ou benção) de entregar-se rapidamente. Manteve raízes fortes afinal. Mudou essa parte de ser, o que é um alívio, mas tem medo da frieza tomar conta. Foi um deixa-ver-o-que-acontece. Admite ter depositado um pouco mais de seu tempo em si para atrair o outro, porém apareceu como se não tivesse o que perder. Outros olhos atentos indagavam a possibilidade de interesse enquanto quem vivia o momento não enxergava esses sinais. O receio de talvez perder o começo de uma amizade foi maior do que sua vontade de beijá-la. E acreditem ou não, essa foi uma de suas maiores vontades já sentidas. Respeitou como nunca aquela que atraia sua atenção e apenas quis abrir sorrisos. Pelo menos isso foi cumprido. Entre pequenas deixas e grandes espaçamentos, tentava entender seus movimentos. Não queria exagerar, e muito menos ficar estática. Fora daquele lugar aparentou conforto, um pouco mais de aproximação. Já era tarde e não tinha tanto tempo para desperdiçar - na verdade seria acrescentar, pois tempo ao lado dela não era desperdiço - então preferiu manter-se em seu lugar e deixar pra lá. 
"Adoraria te ver...", e depois disso não conseguiu ignorar.

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