Era para ser um intervalo entre trabalhos e o almoço. Procuro um canal que preste na tv e acabo estacionando em um filme que adoro, me identificando com a cena. Ela, meio louca, muito espontânea, bastante confusa e sensível, grita de uma distância enorme esperando que ele a entendesse. Ela simplesmente não conseguia desapegar de uma perda tão significativa, e por isso seguir em frente era tão árduo que muitas vezes pensou ser impossível. Não porque não quisesse esquecer, era o que mais desejava. Algo não a deixava viver só. As lembranças caso esquecidas eram como uma possível traição, e por isso não conseguia dizer um concreto adeus. Acreditava tão fielmente que o destino iria ajustar tudo que esquecia de lutar pelo desejado e por isso falhava. O destino não acontecerá se continuasse ali parada. Há sempre ramificações, possibilidades, desencontros. Nada aconteceria sem a real presença dela. Ele estava disposto a amá-la e curá-la, eu já não tive tanta sorte e reciprocidade. Ela havia terminado por 1 ano para então poder continuar o amando. E deram para mim quase 1 ano de felicidade e mais 1 ano de certeza que não irá voltar. Ele ao menos havia a certeza de que ela voltaria. Eu tenho a certeza que se foi para sempre. A personagem sentia falta do noivo falecido, eu sinto a falta de uma certa habilidade. Pelo menos me recuso a acreditar que depois de tanto tempo eu realmente ainda sinta a falta da pessoa. O meu luto continua sendo pela perda, pela minha incapacidade de ter sido melhor, por ter sido culpada pelo desaparecimento de sentimentos alheios. Meu luto vem da demora de um novo interesse. Logo eu que tanto admiro essa habilidade e suas demonstrações que tentam concretizar sua existência. Logo eu que até hoje tento me convencer de ser o suficiente para despertar e viver tamanha intensidade. Pesou bastante perceber a constante solidão, não ter alguém que se importe tanto quanto você e que faça algo extraordinário, porém disso tudo só tenho mais certeza de estar melhor assim do que sofrendo ainda mais. Tenho a certeza de precisar amar sobretudo a mim mesma. Não é injusto esse sentimento de injustiça. Preciso de mais tempo meu e comigo antes de entregar cada segundo para outra pessoa. Faz tudo parte da aprendizagem.
E após algumas lágrimas de desabafo, outras de tristeza e sem nenhuma futura de alegria, voltei a fazer meus trabalhos, pois uma das coisas que aprendi foi justamente não deixar nada inacabado só porque por dentro apenas está começando.
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