domingo, 28 de outubro de 2012

Passageira tristeza noturna

Não saberia dizer se a nuvem preta em sua cabeça está sempre presente, porém oculta, ou apenas existente em alguns momentos. Talvez esteja lá a todo instante, apenas não goste de admitir. Querendo ou não ela apareceu novamente, e talvez com uma frequência maior do que o aceitável para uma sanidade satisfatória. Lembranças - que não sabe se foram superadas ou apenas momentaneamente esquecidas - que conseguem trazer a mágoa do passado, arder seu rosto e pesar seu peito como se fossem a tragédia no presente. Volta a sua vulnerabilidade, isso se algum dia foi embora. Sua essência mais frágil, seus reais sentimentos e sua verdadeira identidade, tudo omitido até de si mesmo buscando uma fuga dos sofrimentos. Não era assim, nunca foi e provavelmente não será. Por mais que transite em suas fases de autosuficiência na verdade necessita acreditar e ter em sua sovrevivência algo tão fundamental à vida. Amor. Tão clichê. Puramente sentimental. E mesmo assim faz parte de seu ser, está em cada célula de seu corpo, em toda sua abstrata alma e imutáveis pensamentos. É um elemento básico de si. E observando esses certos momentos que trazem as dores, se vê perdida. Enxerga solidão. Sente infelicidade. Injusto acontecer logo com ela, infelizmente a vida não é justa e sua única motivação é tentar fazê-la valer a pena. Vontades platônicas, interesses negados, auto imagem desmoralizada, fazem parte - até por tempo demais - das sombras que a seguem. Quando consegue finalmente seguir pelos caminhos mais simples aparecem obstáculos maiores para trazer medo e impedir suas ações de resoluções. Negar tanto até para si gostos e desejos, tudo para preservar-se. Detesta pensar em ter que precisar de alguém para ser feliz verdadeiramente; ter (outros) grandes amores; sentir-se bem porque outros a amam, porém suas tentativas de acreditar que ela somente seria o suficiente não passa de uma ilusão.
Cansou da longa espera, das frequentes mutilações sentimentais, das inacabáveis novelas mexicanas sem finais felizes. Depois de todas as mudanças, melhoras, evoluções, vivências, os ajustes, nada foi o suficiente. Quando será a vez dela de ser feliz novamente?

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