segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O pacto com a verdade

Com o Natal chegando mais uma vez a tradição que comecei há alguns anos também. 

O que mais me amedronta não é criar coragem para dizer as verdades, 
ou as longas horas pensando em como dizer,
nem os textos elaborados para não parecer (tão) tola.

Não é o jeito torto que acabo dizendo,
ou as inúmeras vezes que gaguejo.
Não é o fato de me colocar em uma posição vulnerável,
as enormes possibilidades de me magoar,
e a vergonha que me deixa sem graça por meses.
Dizer a verdade nunca foi o problema. Dizer a verdade (na verdade) me liberta. 

O que me amedronta são as consequências dela.
O possível afastamento, 
a confirmação do platônico,
os possíveis laços afrouxados (e até perdidos).

E por incrível que pareça essa tradição adoro manter. 
Por saber que posso fazer alguma diferença afinal,
por utilizar uma habilidade pouco conhecida pelas pessoas,
e por no final das contas sentir que sou um pouco mais humana do que fui durante o ano todo

simplesmente por ainda conseguir amar e ser sincera a respeito. 

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