terça-feira, 16 de setembro de 2014

A pior das manhãs, a pior das perdas

1h da manhã (15/09) - você caminhando pela casa como sempre, já meio cego batendo nas coisas sem querer. Passou pela minha cama pedindo carinho, deixei o braço do lado de fora pra te dar atenção. Você resolveu continuar sua caminhada noturna. Pouco antes de você sair do quarto, e de eu cair no sono, pensei: "melhor levá-lo pro quarto da minha mãe". Acabei dormindo. E você... indo. 

8h - pesadelo em pleno dia. Minha mãe te procura pela casa, eu ajudo a procurar no andar de cima quando escuto um grito da minha mãe vindo do térreo. Corro em direção do desespero, e encontro você em uma poça de seu próprio sangue. Durante a reforma dos quartos deixaram a porta da varanda do segundo andar aberta, e você saiu correndo em direção ao chão. Achamos que estava morto, mas levamos aos prantos para o veterinário. 

10h - me avisam que você está internado e convulsionando muito. A medicação que te dão exige muito dos outros órgãos, como o coração, sendo que você já é cardiopata. 

Passamos o dia ligando pra saber notícias suas... e à noite foi liberado nossa visita. Fui correndo assim que sai do estágio. 

19h30 - sinto alívio em te ver, choro o que segurei o dia todo com você nos meus braços. Não meche sozinho, com a cabeça machucada, com sonda para comer e usando fralda. Ainda com tremores das convulsões. Tento te acalmar com abraços, sendo que nem eu conseguia ficar calma. Ficamos o horário da visita até o último segundo. Te coloquei em seu cobertor preferido para dormir. Você ficou menos ansioso, e nossa ansiedade só aumentava em te deixar dormir só. 

5h da manhã (16/09) - após seguidas convulsões de madrugada você não aguenta mais e pára de respirar. Eu acordei rapidamente na madrugada... e voltei a dormir. 

12h - pergunto para minha mãe como você está, e ela apenas responde: volta pra casa, amor. Não suporto... choro na frente de todos, coisa que odeio, e volto pra casa o mais rápido possível.

12h30 - entro pela porta e já vejo minha mãe. Pergunto onde você está. Ela acena a cabeça com sinal de 'não'. 

Eu, minha irmã e minha mãe passamos o dia em luto juntas. Lembrando de você, arrumando suas coisas, vendo suas pegadas por toda a casa. 
Decidimos te deixar repousar onde iremos fazer o jardim. 



Percebi o quanto subestimei meus sentimentos por você. Pensei que eu iria sofrer menos quando você se fosse, e nunca senti tanto a perda de alguém como agora.
Achava que sabia como era o luto... até você ir. 
A casa - mesmo com tanta gente e com tanta reforma - nunca foi tão vazia e sem vitalidade. 
Você chegou em minha vida quando eu tinha apenas 5 anos, e o máximo de prejuízo que você fez foi sujar de vez em quando meu quarto. 
E como eu poderia ficar irritada com aqueles olhos amendoados, aquelas orelhas caídas e aquele tamanho minúsculo de ser?
Como não sentir falta de quem sempre me recebia com tanta alegria?
De alguém que deitava comigo no chão frio?
Como não se apegar por alguém que te ama de graça?
Como não sentir falta da sua presença?
Eu devia ter te dado mais atenção, mais carinho, mais do meu tempo.
Devia ter atendido meu instinto e te levado pro quarto e fechado a porta, quem sabe você não iria ter corrido e caído. 
Eu sinto muito mesmo... podia ter sido melhor pra você. 
Você é um dos seres que eu mais amo, e agradeço por cada segundo desses 16 anos que você esteve comigo. 
Obrigada por fazer parte da família, e ser o integrante preferido de todos. 
O único Fido/ Gagau/ lindo/ amor da minha vida. 

domingo, 14 de setembro de 2014

Sonho concretizado

Querido diário,

  Hoje foi um dia comum, porém excepcional. Notei 2 coisas, e uma delas é novidade inédita. 
  A primeira diz respeito aos meus sonhos que tive por semanas (e às vezes de 2 a 3 vezes por dia), e que finalmente pararam. O último sonho foi ótimo, e acaba sendo diretamente relacionado à novidade inédita. 

Eu estava me observando de longe, como se eu estivesse vendo um filme sobre mim. 
Me via do meu antebraço esquerdo até o lado direito da "tela". O dia estava ensolarado, ipês brancos (que são meus favoritos) em todo lugar. Estava andando pelas ruas da cidade com short jeans, blusa tomara-que-caia, cabelos soltos e uma sapatilha confortável. Eu estava rindo, e muito feliz. 

A imagem foi abrindo para o lado esquerdo quando percebi que havia uma menina ao meu lado, servindo seu pescoço de apoio para meu braço. Eu a estava abraçando e andávamos lado a lado. 
Não tinha parado para analisá-la, mas ela me parecia ser bonita e me atraia.

Atravessamos a rua juntas, ela me fazia rir e eu sentia sua mão em minha cintura. Eu não ficava com vergonha ou pensando o que ela iria achar das gordurinhas laterais, como eu geralmente faço. Me senti à vontade, livre. Pensei ser a pessoa ideal

 Fui a percebendo dos pés a cabeça. Olhei para nossos pés, nossa caminhada em sintonia. Como usávamos roupas parecidas, mas de cores diferentes. Tínhamos a mesma altura e o encaixe das mãos entrelaçadas era perfeito.
Sua clavícula aparecia um pouco da blusa, seu pescoço mostrava que estava com o rosto abaixado e rindo. Ela lentamente me olhou após parar de rir. Fiquei em silêncio, pois levei um susto.
Sua boca era mais vermelha que a minha, seus olhos e cabelos eram mais claros que os meus. Seu sorriso eu já tinha visto antes, suas expressões e manias enquanto falava me eram familiares...

Foi quando eu notei a novidade inédita.

  Era eu. De um jeito diferente, mas era eu. A menina que me encantou, antes mesmo de eu ver o rosto, era eu. Estava feliz em estar comigo, em finalmente me enxergar e sentir felicidade e paz na solidão.
  Achei estar na solidão... mas solidão precisa de tristeza ou incômodo em estar só, e minha companhia me basta.

sábado, 13 de setembro de 2014

enve(Nena)

1ª parte

Hoje senti seu cheiro no meio de um ginásio de gente,
e uma lágrima até chegou a bater na porta.
Não por saudade, não por te querer,
mas por toda mágoa que passei.

Pareceu real, como se eu ainda sentisse como antes.

Enquanto o cheiro pairou senti ser infinito aqueles 10 segundos.
Tromba de cachoeira, porém de sentimentos e lembranças.
Congelei. Catatonia generalizada. Esperei passar. E passou.

Engraçado como associo à bons momentos...
Quando a maior parte do tempo foi dor.

Por sorte não me recordo (mais) do passado com frequência,
apenas nessas raras ocasiões onde seu perfume me envenena.


2ª parte

Entenda que não te odeio, não quero seu mal, não guardo rancor,
mas não te desejo, não quero o passado, não serei parte da sua felicidade.
Desejo sua evolução e muito amor em sua vida.

Apenas não consigo imaginar (como antes) algum momento no tempo e espaço onde você conseguiria ser alguém diferente para nós.
Veja que não disse 'alguém melhor', mas sim 'diferente'.
Sempre achei que em você já tinha o melhor, apenas não via (ou queria) deixar expor.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Sinais verdadeiros

A verdade dissipadora de sua meio amarga ilusão não mais a incomoda. 

Sim, conformar-se e aceitar os reais sinais é doloroso... até que se percebe não ser eterno o pesar. Abrir os olhos pode ser árduo quando nós mesmos os costuramos para viver - em sonhos - nossos desejos. 

Esperando. Apetecendo. Ansiando. 

Até que se deparou consigo. Notou sua vontade de estar, mas não sua necessidade. Percebeu que sua irrelevância para os (seus) olhos alheios não era algo a ser invertido, mas sim desistido. Não era pra ter qualquer tipo de admiração resultada de ato mendigado. 

Desistir nem sempre é a escolha errada, do mesmo jeito que o mais difícil nem sempre é o melhor. Na verdade o simples é um ótimo começo. 

Leve. Fácil. Espontâneo. 

Quem sabe eu não encontre o simples no meio do caminho enquanto não desisto dos olhos que mais deviam ter relevância:

os meus.

domingo, 24 de agosto de 2014

Sofre(a)r

Me pergunto quantas coisas preciso ver/ saber/ sonhar pra desistir dessa ideia idiota de nós.
Você sequer sabe
(E se soubesse não iria querer o mesmo).
Eu sequer tenho coragem.
Nós sequer daríamos certo.





Então por que é difícil acabar com o desejo,
doloroso ter que me controlar e
inevitável pensar em te beijar?

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Suspiro



Vai que um dia eu falo.
Assim,
perto do Natal.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Dessa vez

Se você chega                                                                                             eu me afasto,
                                                                                                                   resguardo,
                                                                                                                   espero por algo.

Se me olha                                                                                                  eu coro,
                                                                                                                   mudo o foco,
                                                                                                                   tremo por dentro.


De palavras a simples abraços                                                                      enrijeço,
                                                                                                                   suo frio,
                                                                                                                   te desejo.

Mas mantenho os pés no chão, as esperanças afogo e a vontade sufoco. Ser realista dessa vez. E a sua realidade transmitida foi justamente a ausência de qualquer interesse. Diferente do meu natural não irei mais lutar sozinha por nós.

Na verdade acho que só eu pensei nessa (nossa) possibilidade...