segunda-feira, 24 de novembro de 2025

entre o abraço de vento e o pó

sigo abraçando ventos que desviam, na tentativa frustrada de preencher um abraço que — um dia — também buscou por mim.

minhas, até então, incansáveis esperanças de ter você por perto se dissolvem quando percebo que o cenário é o mesmo: caminho por nós sozinha, rumo a um despertar que enfim me abre os olhos e te encontra de costas.

os sinais ambíguos, os sentimentos confusos e não ditos, o silêncio que pesa, as ações que não se sustentam, o paradoxo, a rejeição, a falta do mínimo… seguem sendo o concreto que forma a sua base, sua estrutura de distâncias.

e isso me incomoda,
me arde,
me aperta,
me sufoca,
me esquenta o rosto
com lágrimas que eu achava já terem se resolvido — mas que transbordam ao reconhecer o segundo luto: o da impossibilidade de qualquer forma de nós.

porque eu já não consigo sustentar sozinha mais nada vazio que venha de você.

tinha todos os motivos para repetir velhos padrões e, como quem apaga um traço torto no papel, te apagar da minha vida.
acreditei que você seria exceção, que desta vez eu não precisaria lidar com o desamor de nós.
mas me enganei… assim como me enganei diante daquela omissão/mentira que partiu a imagem que eu tinha de você.

e o seu ego, ferido, me empurrando cada vez mais para longe — sem permitir espaço ao amor e ao respeito que existiam — fez o desgaste virar sua energia vital.
desgaste ao me ver ou ouvir, desgaste ao lidar comigo, cansaço ao existir, desgostosa...
até eu me tornar apenas pó aos seus olhos: sem serventia, sem necessidade, sem consideração.
enquanto eu nutria um afeto que, cegamente, suportava as muralhas erguidas pelos seus abraços de vento.

e se o que resta entre nós é uma fundação construída apenas pelas minhas mãos, pelo meu amor e pela minha teimosia, enquanto do seu lado há silêncio, desgaste e migalhas… o que poderia nascer além da superficialidade do pó?

eu só queria sua consideração, a versão sua que conheci e que não imaginei que se perderia após a troca de nomes do que éramos.
porque eu segui sendo a mesma: a mesma torcedora, a mesma companhia, e — aparentemente — a mesma tola em esperar te ver lutar por nós.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Uma fonte e infinitos desejos a saciar

Uma vida longa é pouco pra saciar minha vontade do seu beijo
Imagina um final de semana apenas

Minha admiração por você só cresce
Assim como a cachoeira em mim
Que nasce da sua fonte

Só quero desaguar dia e noite em você

Onde tem sua pele e sua boca
Me sinto levada e me grudo
Até mesmo em pensamento

Porque você é a única fonte capaz
De gerar cachoeiras, vendavais,
Mares e paz
Na mesma proporção

E eu não preciso, mas eu quero
E quero muito tudo que é você
A todo tempo

12h12
05/11/2025
por R.J.P

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Saudação ao seu sol

Saúdo o sol que mora em você

Ele abraçou meus dias nublados
Derreteu minhas dores
E ardeu comigo
Na vontade que grita entre nós

Me ensinou que acolher
trovões internos
Traz a certeza dos
Dias de cor

Seu sol me ajudou a
Renascer o meu
E fazer pulsar de novo
Os raios de luz que me
Percorrem inteira
Me levando pra vida

Seu sol caminha pelo mundo
Porque onde você toca
Raios de luz se espalham
Viram música
E plantam amor

Dias doídos também são
Incríveis com você
Os sóis se nutrem
Se mostram mais radiantes ainda
E deixam visíveis todas as
Maravilhosidades do mundo
Que fazem tudo valer
A pena ou as asas inteiras

13h11
20/10/2025
por R.J.P

domingo, 5 de outubro de 2025

Sobre a luz do Raio


há natureza em mim,
quando raios permeiam meu ser,
a cada toque que vem de ti,
meu rosto aprende a florescer.

há arte em mim,
que em tua presença se lança —
poema, música, enfim,
em pensamentos e dança.

há universo em mim,
quando teu olhar me alcança;
o tempo cessa e se expande,
meu instante se agiganta,
quando estás perto assim —
o tempo perde o fim,
e tudo em volta balança.

há esperança em mim,
de viver o mágico e raro,
de sentir o extraordinário
nos sintomas de você sem fim.


“nossos corpos, conversas
e abraços em mistura
são o toque final
do instante em pintura.”

domingo, 31 de agosto de 2025

and we'll leave it there


Registro do primeiro dia, desde o dia 13, em que fui surpreendida pela perda e pelo pesar 
— e os acolhi.


Settle down don’t say a word 
It’s all been said before 
It’s too late now 
There’s a weight upon my chest 
That wasn’t there before
It lives here now 

And it hurts oh it hurts so bad 
And I know that I don’t deserve that 

So when I open my eyes in the morning 
And you’re not there 
It’ll be you in my heart that I’m holding 
And you won’t care 

So let’s leave it there. 

All the sparks that used to fly 
Are burning on my skin 
Fading into nothing 

And all the time we had for us 
Is going with the wind 
Can someone let the light in? 

It hurts oh it hurts so bad 
And I know that I don’t deserve that 

So when I open my eyes in the morning 
And you’re not there 
It’ll be you in my heart that I’m holding 
And you won’t care 

So when my lungs cannot breath anymore 
And I’m laying there 
It’ll be you in my heart that I’m holding 
And you won’t care 

So let’s leave it there. 
 

terça-feira, 29 de julho de 2025

O silêncio que pesa


Tenho andado em círculos dentro de mim,
como quem procura um fim que já foi decidido.

As palavras que antes nos costuravam
hoje parecem agulhas,
pontiagudas demais para segurar qualquer tecido.

Você me olha, mas não me vê inteiro.
Desviei o olhar mil vezes, esperando um gesto,
mas seu toque agora parece cálculo,
como quem mede a distância antes do adeus.

Fui abrindo espaço no peito,
acomodando suas ausências,
desenhando limites para não invadir
o território do seu incômodo.
Mas a cada tentativa, o chão sumia —
e você sumia com ele.

Sim, dei tudo.
Não como barganha, mas como quem ama
e acredita que amar ainda vale.
Mas percebo:
a dúvida não mora em mim.
É em você que o eco ressoa mais alto,
é em você que a entrega virou peso,
é em você que as peças deixaram de se encaixar.

E eu não posso viver de quase,
nem de promessas ditas em silêncio.
Viver de liberdades parceladas
é se aprisionar em dores não navegadas. 

Então vá — se for pra ir.
Mas vá de verdade.
Ou fique — se for pra ficar.
Mas fique para transcender
o que já sou
e o que já fomos.

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Eis

Calmaria por fora, furacão por dentro.

Eis sol. Céu. Terra. Ar. Fluido.
Eis ternura que persiste, mão firme que sustenta.

Eis compreensão, acolhimento sem medida.
Eis mansidão. Suavidade que envolve.
Eis transformação. Quebra necessária.

Eis revolução. Paz e guerra dançando.
Eis amor — em cada parte, cada ação, cada célula.
Não há sombra de dúvida para quem se vê.

Que tuas sombras sejam alicerce para tanta luz.
Mais um ciclo deste universo que em ti habita
e transborda, infinito, em nós.

Que ele siga abençoado,
e eu, em gratidão,
por tua existência que me acalenta.

Acredita em tudo o que és.
Na força que brota de ti,
ávida por se revelar.

Sente o amor que te habita
e aquele que te cerca —
especialmente o meu,
sempre teu.


Para o aniversário de um grande amor, B.