Pensou ter deixado claro com os olhares. Esquece que os olhos não falam, mas transmitem tudo o que pensa. Pensou que os sonhos e pedidos talvez pudessem ser reais, que talvez fosse questão de tempo e/ou esforço. Sabe que é besteira realmente acreditar nessas coisas tão inconcretas, mas não consegue parar de ter fé. Talvez seja melhor parar de pensar e desejar tanto o impossível. Idealizar um sonho pode agravar na concretização de um pesadelo. Pensou - na verdade desejou - ser alguém diferente, algo maior. Não necessariamente melhor, apenas diferente. Achou (erradamente) conseguir ter as rédeas do futuro. Imensa ilusão. O futuro brinca com seu presente e de vez em quando a relembra seu passado, o incrível desnecessário. O que já foi não precisa ser ruim de se lembrar, porém o presente e o futuro próximo é tudo que enxerga. Confessa ter coisas no passado bem... incomuns. Faz questão de lembrar de passados não tão longes assim, mas que a mudaram para sempre. Não são meros passados, e sim passados complementadores. Aquele(s) segundo(s) e aquele(s) momento(s) foram profundamente marcantes, mais intensos do que o ferro quente queimador de 5 anos. Dessa vez não pensou, não tinha a menor idéia, que haveria de existir tamanho abismo. Não se arrepende do ferro, muito menos do abismo. Gostaria apenas de ter caido no abismo antes, já que tudo aponta para um abismo raso.
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