I might snap.
terça-feira, 28 de março de 2023
segunda-feira, 25 de abril de 2022
3 em 1
Um.
Em 2017, após um término de relacionamento, eu ouvi pela primeira vez as músicas do compositor Ólafur Arnalds e desde então suas composições conseguem chegar em lugares e memórias que eu sequer sabia da existência.
Sem precisar de uma palavra sequer, a sua melodia me teletransporta para dentro de mim e para a expansão do universo ao mesmo tempo. Se mágica existe com certeza esse é um belo truque que desenvolvi.
Por mais que eu não consiga fazer os outros sentirem o que eu sinto ao ouvir suas músicas, vez ou outra uma composição instrumental é personificada em alguém ou alguma época de vida.
Dois.
Constantemente, desde os meus 8 anos, sinto que pertenço a outro lugar... e sequer digo dentro do planeta Terra. Como uma eterna saudade de um momento que já vivi. Não sei detalhar, mas esse saudosismo aumenta quando encaro as estrelas. Sigo contando os anos que esse fascínio faz parte de mim, como um órgão vital.
Três.
Ontem finalizei uma série chamada 'Heartstopper'. Sem muitos spoilers, mas é sobre descobrir a orientação sexual na adolescência, com todos os conflitos internos e externos dentro do ambiente escolar.
Várias lembranças imediatamente surgiram e que foram guardadas, e que hoje consigo analisar e abraçar com afeto. Confesso que chorei em muitos momentos, pois os sentimentos que tive se espelharam nas cenas e vi a Lorena dos 10 aos 20 e poucos anos.
Lembranças como a primeira menina que me apaixonei sem nem saber o que era paixão.
Como eu descobri o significado da palavra homossexualidade e a sensação de pertencimento, alívio e desfecho naquele momento. Até então não sabia que iria sofrer com o preconceito, apenas me senti leve em finalmente por nome ao que eu sou.
O nervosismo em conversar com a primeira menina da escola que gostei, seja por MSN ou pessoalmente.
As festas que ia para encontrá-la e principalmente aquela à fantasia onde tive meu coração partido pela primeira vez ao vê-la com outra pessoa... e como ele se recompôs tão facilmente quando minutos depois quem estaria com ela seria eu.
Os seus perfumes e os meus.
Os momentos de reflexão e tristeza em cada lugar da escola: nas quadras de esporte logo cedo quando fazia uma neblina fria, no pátio onde ela posteriormente iria me pedir em namoro e no mesmo dia terminar, na sala da diretoria onde eu parei depois de desmaiar de ansiedade ao vê-la pós término, nos banheiros que matávamos aula para ficar juntas. Apesar de precoce dos 11 aos 13 anos, foram os sentimentos mais intensos que já tive.
Lembrei como se fosse ontem dos piores dias que sequer conseguia sair da cama sem estar deprimida e ter que enfrentar o mundo. E a sensação de dor no peito, como se um músculo tivesse sido rompido. Na minha cabeça não transparecia o quanto era pesado carregar tudo isso, mas se de alguma forma consegui expor tanto as partes boas quanto as ruins, tenho certeza que preencheria mais de 20 escolas daquela.
Vi também a primeira vez que me disseram "eu te amo" de uma forma romântica. E o quanto aquilo foi importante e impactante pra mim. Uma surpresa sem igual. Debaixo do prédio da 306 Sul, dentro de um abraço, taquicardia instantânea.
E também revivi o momento onde quis afastá-la por sentir que eu estaria a atrapalhando ou dificultando sua vida, uma vez que ela não era assumida. Por sorte fui convencida do contrário e demorou até nos separarmos de verdade.
Toda essa nostalgia para me fazer olhar pra trás e ter orgulho de tudo isso. Dos processos, da intensidade, das novidades, das pessoas, e, principalmente, de mim.
Permaneço sobrevivendo e seguindo em frente. Por mais que olhar pra trás ajude muito a entender quem somos agora e o que precisamos ter enfrentado pra estarmos aqui hoje.
Mal posso esperar para as próximas nostalgias e demais memórias guardadas que virão à tona. Afinal, recordar é viver e nos faz o ser único que somos.
sexta-feira, 25 de março de 2022
Feel the magic
Can you feel it?
Taking us to another dimension.
In motion.
Filling the eyes, the soul, the fullness.
Opening reflections
and closing with understanding
of the past; present and future; as they are one thing only.
It's part of me now.
And it will be heard in other places; lives; wherever I go.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2021
Solta aqui - perde lá
O medo de um fim sempre foi real.
Fim
da vida
da relação
do contato
da memória.
Até que o medo de acabar interfira no modo de viver o presente.
E de fato acaba... perdendo o que vale a pena ser mantido.
Só então perceber que soltar, acabar, finalizar
não é sinônimo de vazio.
Mas perder... aí sim, é um vazio.
quinta-feira, 26 de agosto de 2021
Dia de te celebrar
Oi, André!
Quanto tempo não nos falamos, seja pessoalmente ou em pensamentos. 3 anos já se passaram desde sua partida desse plano e foi para a imensidão junto à sua família espiritual. E quanta falta você faz aqui, viu.
Acho que nenhum dia 26 de agosto - ou 2 de junho - nunca serão os mesmos, e sinceramente não sei qual deles me aperta mais a saudade.
Hoje seria um dia de celebrarmos seu aniversário. Pedirmos algo para comer, ou até mesmo sair. Sinto que não aproveitei o suficiente os dias 26 de agosto... e até mesmo não celebrei o tanto que você merece. Sequer consigo recordar alguma celebração desse dia tão importante pra nós. Talvez com fotos minha memória voltasse. Mas o que quero dizer é: gostaria muito de estar hoje ao seu lado, te parabenizando pessoalmente, de qualquer forma que fosse.
Queria muito que você soubesse o quanto as coisas mudaram desde sua passagem, não só as dificuldades, mas principalmente as vitórias. Vibrar contigo os novos empregos, a mudança para São Paulo - apesar de saber que você iria chorar e sentir minha falta, da mesma maneira que eu iria também -, do meu namoro que já já completa 2 anos e 4 meses, das pós graduações, do meu retorno à Brasília, de estar morando sozinha, da casa que você sempre sonhou em finalizar estar agora quase pronta, da vinda da minha sobrinha e sua netinha Maya... enfim, de compartilhar contigo todos os acontecimentos e minhas conquistas individuais que tenho toda a certeza desse mundo que não iria ter alcançado se você não estivesse na minha vida, me guiando, me mentorando, me incentivando a crescer e acreditando em mim. Sinto que você sempre será um mentor, e que temos muito ainda a aprender juntos.
Faz um tempo desde a última vez que te vi em sonhos. Creio que pela linha dos acontecimentos você já tenha tido uma próxima oportunidade de encarnação, ou já está em alguma colônia trabalhando com gestão administrativa e doando muito amor aos que precisam. Às vezes até imagino como seria sua reação ao ver seu olho estampado no meu braço e todo o restante da dedicatória à você.
De forma alguma quero que meus sentimentos te prendam aqui ou que te impeçam de seguir em frente, mas quero que você saiba que sinto muito sua falta, penso muito em você, e apesar de ter reconhecido tarde demais o quanto você merecia mais de mim enquanto vivo, que eu sinto muito por não ter aproveitado melhor nosso tempo juntos, e que espero ter outras oportunidades tendo a consciência de sua importância.
Imagino como deve ser sua vida do outro lado e o tanto que você já deve ter agregado por onde você passar. Obrigada por ter sido um dos pilares mais sólidos na minha construção como pessoa. Por todos os anos de cuidado, amor, recursos, oportunidades, companheirismo, paternidade, dedicação e ensinamentos.
Sei que hoje não faz mais tanto sentido, já que não estamos de fato celebrando mais um ano de vida terrestre contigo, porém sempre é dia de celebrar quem você foi e continua sendo como espírito. Então sigo te parabenizando pela pessoa incrível que você é, e sigo emanando todas as bênçãos em seu ser e sua trajetória, agradecendo a Deus e ao universo por você existir.
Eu sempre irei me recordar de você com muito amor. Não há outra palavra que melhor defina o que você foi por mim e para mim.
Te amo para sempre,
de sua filha por escolha,
Lorena.
terça-feira, 25 de maio de 2021
Só nós
Fora de contexto, mas quem me apresentou essa música foi minha mãe. Hoje. Homenageando as mulheres da vida dela.
Instantaneamente apertou o peito. Saudade. Amor. Tive a certeza que lá é meu lugar. Sempre foi. E saindo de lá que o inegável se fez concreto. Meu lugar de paz, acolhimento, pertencimento.
Não é cidade, estado ou país que faz meu coração criar pernas e asas. São elas. As pessoas que eu amo. E que longe não faz sentido viver. Não tem trabalho que pague. Tempo que apague. Viagem que seja mais divertida ou inesquecível do que o conjunto de pequenas alegrias diárias.
E junto a isso, tive a certeza também de você. Do nós. E sem querer encontrei por fim quem eu quero passar todos meus dias. Viver cada fase e descobrir a pessoa que a outra se torna com os anos.
E por todos esses motivos sinto a falta que vocês fazem diariamente. E o quanto eu quero ter de volta meu lugar. Onde ele for. Portanto que seja caminhando para nós.
terça-feira, 9 de março de 2021
Undone
As we get bigger and bigger
The distance between ourselves and that other
Outside world becomes smaller and smaller
And this world that we are inside
Which seems so huge in the beginning
And so infinitely welcoming
Has become very uncomfortable
And we are obliged to be born
And my father says that birth is so
Chaotic ans violent that he's sure
That at the moment of birth, we're thinking
"This is it. This is death. This is the end of my life"
And then we're born and it's a surprise
'Cause its just the beginning