sábado, 30 de junho de 2012

Em 42 horas

Reavaliando o que foi dito e subentendido, realmente não existiram sinais. Talvez quisesse acreditar nas visões dos outros. Talvez quisesse criar expectativas, mas algo mudou. Uma dificuldade (ou benção) de entregar-se rapidamente. Manteve raízes fortes afinal. Mudou essa parte de ser, o que é um alívio, mas tem medo da frieza tomar conta. Foi um deixa-ver-o-que-acontece. Admite ter depositado um pouco mais de seu tempo em si para atrair o outro, porém apareceu como se não tivesse o que perder. Outros olhos atentos indagavam a possibilidade de interesse enquanto quem vivia o momento não enxergava esses sinais. O receio de talvez perder o começo de uma amizade foi maior do que sua vontade de beijá-la. E acreditem ou não, essa foi uma de suas maiores vontades já sentidas. Respeitou como nunca aquela que atraia sua atenção e apenas quis abrir sorrisos. Pelo menos isso foi cumprido. Entre pequenas deixas e grandes espaçamentos, tentava entender seus movimentos. Não queria exagerar, e muito menos ficar estática. Fora daquele lugar aparentou conforto, um pouco mais de aproximação. Já era tarde e não tinha tanto tempo para desperdiçar - na verdade seria acrescentar, pois tempo ao lado dela não era desperdiço - então preferiu manter-se em seu lugar e deixar pra lá. 
"Adoraria te ver...", e depois disso não conseguiu ignorar.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Calma, senhor Tempo

Aos poucos vai se erguendo. Primeiro deitada, depois se pôs em joelhos, agora se apoia em uma perna. Devagar e sem pressa. Conhecimento não é apenas teoria, é necessário a prática. É jovem, viva, dinâmica. Aos poucos também abre os olhos, enxerga seu potencial e qualidades. Abre a mente, retira e inclui vivências, ideais, pensamentos, reflexões. E assim vai. Devagar, mas com muita vontade. Daqui a pouco irá andar sozinha, correr, pular até enfim abrir asas e voar.

terça-feira, 26 de junho de 2012

I'm just not worth the effort, that's all.

Desistência perdida

Já não suportava mais as mesmas supostas certezas que eram jogadas em seu rosto. Cansou de ouvir afirmações não sempre verdadeiras que não eram fundamentadas em seu pensamento próprio e sim por achismo alheio. Era uma indignação enorme essa tentativa de decifrá-la sem ao menos tentar ouvi-la. A incerteza já faz parte de sua essência e sabia disso, mas quando fala o que realmente sente é por saber a sua verdade, e não para tranquilizar outros ouvidos. Não era a primeira vez que aquilo ocorria e fingia ter paciência para ignorar suposições. Enquanto sentada em seu canto compartilhava seus sentimentos mais sinceros, foi novamente interrompida com julgamentos. Explodiu; cansou; entrou em um estado de revolta nunca visto antes. Ouvia os ataques em forma de sei-quem-tu-és e já sem cabeça levantou-se, deu um basta e começou a sua raivosa caminhada. Não parou ou olhou para trás, apenas quis sair dali e mostrar que não precisava de nada ou ninguém. Mostrar pra si e para todos, até mesmo aqueles que não sabiam a história de seu passado (e muito menos presente). Exausta de tentar ser forte quis exalar toda sua fraqueza e toda sua força ao mesmo tempo. Tinha em mente qual rumo sozinho tomar dali e não sentiu medo. A raiva tomou de conta enquanto o racional rapidamente desaparecia. Respiração profunda, passos largos e fortes, mãos fechadas, sobrancelhas frangidas e corpo quente. Não pensou nem por um minuto em voltar ou sequer se explicar. Quis desaparecer de vez e pra sempre. Não achou conforto em seus familiares, apenas em um agregado em sua vida (que aparentemente ganhou lugar em seu coração já não tão caloroso). Engraçado como não se sentia amada. Engraçado como pensou em todas as pessoas que um dia a magoaram tanto, e o sombrio alojou-se naquele momento. "Como me sentir bem ou amada quando tantas pessoas já desistiram de mim? Não as culpo de terem ido. Não a culpo por ter seu sentimento deletado e sua presença extinta. Não devo ser essa pessoa boa que me iludi ser por tanto tempo, afinal, afastei todos sendo quem eu sou. E atualmente não vejo motivos para o espírito livre da floresta ter algum interesse em ficar, ele não é tolo, não perderá tempo com alguém assim, sem o menor atrativo". Nada de fato durará; amizades, amores, vida. E todo aquele convencimento tosco, aquela conversa mole, as promessas nunca concretizadas. Lembrou então do que havia a matado: mostrou o seu melhor para ela, teve sua alma transparente e quando viu já estava ali parada, sozinha, tentando entender o motivo de sua partida e ao mesmo tempo desejando que ela fosse feliz. Contraditório, óbvio. Não a quer mais aqui, a prefere longe, porém não quer vê-la sofrer. Espera do fundo da sinceridade (não diz mais coração, pois sabe não existir mais um) que haja evolução e não dor em seu caminho. Voltando para o outro problema da mente, ela já estava desesperada e ligando por ajuda, porém o celular não atendia. "Foda-se, não vou mais ligar. Quando mais preciso, desaparece. Eu cuido de mim, mesmo sem o menor cuidado", pensou. Percebeu o quanto era solitária. Sem sequer um número de emergência para que pudesse ligar e se alojar. Inutilidade, no mínimo. Era apenas mais um ser humano que sofria pela vida em geral. Sem motivações, sem alcances, sem amores, sem suportes. Será que aquele era o momento em que se ergueria e começaria a contar com nada mais além de si? Caso tivesse que depender de si mesma com certeza iria apodrecer ali mesmo, debaixo daquele prédio, as árvores obscuras sussurrando a tristeza do vento e a única luz que enxergava era a de seu celular, pois agora obtivera o mínimo de atenção e simplesmente ignorou. Não queria falar, reclamar, desabafar. Queria que sua mente parasse de criar labirintos e auto sabotagem. Impossível. Pensou em suas fortalezas e como tudo havia mudado. Perdeu a cabeça por completo. Desacreditou em tudo, principalmente na única certeza que tinha: o amor. "São apenas contos, faz de conta para que a humanidade não entre em depressão coletiva, mas já é tarde demais", sua insanidade gritou. Limpou suas lágrimas, levantou-se do chão frio e foi embora. "Obrigada por ter vindo e desculpa pelo incômodo", disse ela enquanto tentava se manter forte atrás de seu pior sorriso. 
Não sabe mais o que achar, pensar ou por onde começar. Está perdida em tudo; na vida; em si. Não busca mais por uma salvação divina, um excepcional alguém ou qualquer outra fuga. Apenas gostaria de se encontrar e saber de fato o que é e o que pensa sobre as cruéis realidades já vistas e as (falsas?) extraordinariedades que de tão mágicas acabou virando pó.

Crise

"Você é ainda muito jovem para se preocupar tanto com seus sofrimentos"
"Sabe suas feridas, suas angústias, seus desejos não concebidos, seu espírito enfraquecido, as religiões e os traumas que te colocaram? Esqueça tudo isso. A única coisa que importa você já acreditava antes; nada mais é do que amor"
"As pessoas não passageiras que você tanto procura para preencher sua vida; essa 'magia' que você tanto espera acontecer para te completar, ainda existem. É raro; é difícil e você enfrentará o árduo até chegar nessas essências, mas um dia você acha. Apenas não desista; e não abra mão dos seus ideais"
Confessa não saber mais no que acreditar, nas palavras de conforto ou nas realidades já adquiridas em um passado não tão distante. Sabe apenas estar perdida, e sem o menor direcionamento para a sanidade.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Boomerang

Joga, vai e volta. Solta ao ar, vem e vai. Não é visto muita diferença em comparação ao que "existe". É aceitável sua definição. Soube deixar o boomerang transparente. A angústia era saber de fato pra onde o boomerang ia e se ia por vontade ou por acaso. Como já dito antes: está transparente. É melhor assim; é bom o direto, pôde limitar suas condições e anseios. E agora será que consegue não se incomodar com a liberdade - e facilidade - que ele tem de ir e vir para outros?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Um aceno, um lamento e uma conclusão

Por coincidência iriam se ver. Claro que por pura coincidência, pois esse evento não ocorreria por vontade de um lado e por orgulho do outro. Chegou a ansiedade; tentou se ajeitar o máximo possível; fingiu não se importar e foi lá fora. Os olhares se bateram e apenas acenos foram trocados. O peito, mesmo apertado, sorriu forçadamente com naturalidade. Enquanto o carro seguia seu rumo com pressa e sem se importar em olhar para trás, o forçado sorriso virou um olhar cabisbaixo. Seu celular vibra e chega uma mensagem daquele que segundos atrás dirigia velozmente. Uma mensagem parecendo ser feita por obrigação perguntando secamente se queria ir ao mesmo rumo. Querer não é poder; querer queria, e muito, porém não podia. Já estava na sua hora de voltar ao seu lar, afinal, não deveria ter saído à noite pra começo de conversa. E querer queria, e muito, porém sentia lá no fundo que iria se decepcionar novamente. Com toda a educação respondeu não poder ir, mas agradecia pelo convite. De fato gostaria de passar mais tempo - na verdade qualquer tempo que fosse - ao seu lado, mesmo se a vontade não fosse recíproca. Não obteve respostas, é claro. Enquanto ficou parada ali sozinha naquela rua não tão iluminada, pensou no quanto sentia a solidão. Estava sempre acompanhada, porém nunca sentindo alguma presença. Ficou se perguntando qual seria o seu problema e o motivo de aparentemente não estar completa. Sente a falta de alguém para ser um complemento, mesmo tendo essa necessidade de ser auto suficiente. Não se sentiu triste por gostar de alguém; por não ser correspondida ou por sofrer novamente por coisas que tantas vezes passou em sua vida. Sentiu-se triste por ter quase certeza de que será sozinha por um bom tempo, sem ninguém que irá aparecer para ficar e que não a veja como algo passageiro. A sorte de achar não um amor ou paixão, mas ao menos alguém que a valorize por ser quem realmente é. E o pensamento de o problema estar nela aumenta a cada capítulo. A diferença é que não deixará que isso a afunde mais uma vez. 
Por mais que queira alguém ao seu lado, não aceitará qualquer companhia. Não cometerá o mesmo erro de esquecer a sua própria existência para tentar acrescentar todas suas fibras em algo sem direção.