sábado, 4 de agosto de 2012

Gesto de bens, recusa de meu ser

- Pode parecer besteira, provavelmente é, mas pesou bastante.
- Foi brincadeira, você não devia se importar com isso.
- Pareceu muito real.
- E te afeta tanto por qual motivo?

Seja breve ou duradouro; apertado ou suave; levantado ou com os pés no chão; de olhos fechados ou abertos; com ou sem tapinha nas costas; acompanhado de pulos ou não; por cima ou por baixo dos ombros; como cumprimento ou simplesmente por qualquer outro motivo para fazê-lo, seja como for, apenas negue ou recuse um abraço quando não houver o mínimo de mútuo interesse ou vontade de recebê-lo. É uma extensão do afeto; um complemento do cuidado e muitas vezes a tradução de uma vontade. É uma alegria em forma de toque; o meio dos braços sorrirem; o jeito físico de transmitir suas energias que muitas vezes a mente não consegue dizer. "Se te abraço é porque te quero bem, independe de como. É o modo que tenho de mostrar o que sinto e te fazer sentir o quão querido(a) é para mim, e o quanto gosto de você exatamente do jeito que você é, sem tirar nem pôr", quis responder. E para não se sentir vulnerável - e talvez sensível demais por gestos tão pequenos - apenas respondeu:

- Por motivo nenhum, já está tudo bem.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Mais um rejeito desencontro

Seu altruismo mais uma vez deixa escapar algo que gosta. Pena que não consegue dizer em voz alta o que realmente passa em si; suas reais vontades e desejos. Seu discurso que diria: "Me escolha e te faço jamais se arrepender", porém tudo o que conseguia dizer não passava de motivações para o outro ser feliz - mesmo sem ser ao seu lado. Diante da rejeita dois caminhos eram vistos: o que usualmente era traçado com lentos passos, olhos caídos e possíveis lágrimas derramadas ou o lado pouco conhecido da bifurcação. O trajeto desconhecido era pra ser seu único rumo há anos, porém nunca criou coragem - ou auto estima - suficiente. Nada mais 'simples' do que largas passadas, olhos orgulhosos por seu esforço - mesmo não sendo tão efetivo assim - e alguns pensamentos positivos no lugar da insegurança e insuficiência. O que a fez mudar de caminho? Não sabe ao certo. Diversos fatores contribuiram igualmente, como, por exemplo, o cansaço do pesar; do sofrer, o saco cheio da auto piedade; do pensamento de não ser boa o bastante para merecer tal mutualismo, a recém crença de ser alguém merecedora de admiração e amores. E mesmo se for apenas uma ilusão de ser auto suficiente, dessa vez preferia ser ignorante. Já sofreu tanto e não vê mais motivos para próprias sabotagens mentais; pensamentos tão pesados que abaixariam toda e qualquer alegria vinda do amor próprio. O costume de sofrer quieta aos poucos vai desaparecendo. Então caminha sem pressa em nova direção, encantando-se com diferentes paisagens e descobrindo o novo poder da própria valorização.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A wish

- It must be great.
- What?
- Being someone's first - and maybe only - choice.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Uma das vontades


Arrumar o carro, levar apenas o necessário e o essencial. Não importaria o destino e nem a distância, o que interessa é a sensação de liberdade e cada segundo olhado para o céu. Não seria qualquer céu, quaisquer estrelas. Seria o mais perto de uma total escuridão, assim poderia avistar tudo. Deitaria onde fosse, levaria boas bebidas quentes, comidas (a)típicas e as melhores companhias. E no meio do nada escutariam músicas, histórias, risos e sentiriam o calor do abraço e de fortes energias. Quando o dia chegasse, por mais que a noite fosse o ideal, aproveitaria cada raio de sol, cada brisa e cada nuvem. Seria algo simples, porém perfeito. E se ao longo da viagem uma das companhias se aproximasse mais do que o esperado, aí sim chamaria de mágico.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Don't You Remember

When will I see you again?
You left with no goodbye, not a single word was said,
No final kiss to seal anything,
I had no idea of the state we were in,

I know I have a fickle heart and bitterness,
And a wandering eye, and a heaviness in my head,

But don't you remember?
Don't you remember?
The reason you loved me before,
Baby, please remember me once more,

When was the last time you thought of me?
Or have you completely erased me from your memory?
I often think about where I went wrong,
The more I do, the less I know,

But I know I have a fickle heart and bitterness,
And a wandering eye, and a heaviness in my head,

But don't you remember?
Don't you remember?
The reason you loved me before,
Baby, please remember me once more,

Gave you the space so you could breathe,
I kept my distance so you would be free,
And hope that you find the missing piece,
To bring you back to me,

Why don't you remember?
Don't you remember?
The reason you loved me before,
Baby, please remember me once more,

When will I see you again?

Adele

Dead Like Me

Her last thought was: "Why has no one ever loved me?"

Testando o passado

Quis se testar. Saber se deixou mesmo lá no passado ou se continuaria a assombrando de algum jeito. Precisava ter certeza que não era mais uma negação, mas sim uma completa superação. Vasculhou o passado e achou seu maior tesouro. Sentia cada lugar, lembrou de cada movimento. Olhou para cada foto como se houvesse voltado naqueles dias. Eram tão belos dias. Sorrisos, abraços, compromisso... amor. "Droga", pensou. Sentiu saudade, e apertou de tal maneira que não havia visto há meses: estado líquido das emoções. Lembrou de como era feliz, de como era ingênua. E de como eram apenas ilusões, e que se houvesse uma sombra de consideração apenas viria do seu lado. Como tudo havia mudado e como aquele amor havia simplesmente morrido. Será que morreu? Se vasculhar seu peito encontraria ainda respeito, afeto, cuidado. E amor? Não sabia responder. Encarando as fotos ela conseguia sentir o antigo amor, conseguia de fato lembrar até o seu perfume... mas ainda o sentia ou apenas o lembrou? Seu sentimento foi sufocado à força, reprimido com agressão e largado em caixas e lembranças e dado como morto. Então qual o motivo de sua tristeza ao ver momentos de felicidade? Provavelmente pela falta de amor atual, pelo cansaço físico e mental de lutar com o mundo pelos seus ideais. Talvez por saber que mesmo se esforçando tanto, ninguém iria ver aquilo que sempre quis mostrar. Cansada talvez de fugir do passado. Não o esqueceu ou abandonou, apenas o ignora. Gotas de dúvidas restantes, sorrisos quebrados, alma cuidada com panos e pontos mal feitos. Tem medo de ter aberto não só fotos, mas pesadelos. Sensações tão pesadas que acabavam com sua vitalidade e que poderiam voltar. Quanto medo de sentir o pior pesar, de não conseguir mais se encontrar, e novamente cair. Pelo menos de uma coisa não se culpava (mais) tanto: poderia ter sido rejeitada e não mais amada, mas não era uma pessoa ruim, e sim talvez apenas não tão amável assim.
E agora ela se pergunta o que fará com essas fotos.