sábado, 4 de agosto de 2012

Gesto de bens, recusa de meu ser

- Pode parecer besteira, provavelmente é, mas pesou bastante.
- Foi brincadeira, você não devia se importar com isso.
- Pareceu muito real.
- E te afeta tanto por qual motivo?

Seja breve ou duradouro; apertado ou suave; levantado ou com os pés no chão; de olhos fechados ou abertos; com ou sem tapinha nas costas; acompanhado de pulos ou não; por cima ou por baixo dos ombros; como cumprimento ou simplesmente por qualquer outro motivo para fazê-lo, seja como for, apenas negue ou recuse um abraço quando não houver o mínimo de mútuo interesse ou vontade de recebê-lo. É uma extensão do afeto; um complemento do cuidado e muitas vezes a tradução de uma vontade. É uma alegria em forma de toque; o meio dos braços sorrirem; o jeito físico de transmitir suas energias que muitas vezes a mente não consegue dizer. "Se te abraço é porque te quero bem, independe de como. É o modo que tenho de mostrar o que sinto e te fazer sentir o quão querido(a) é para mim, e o quanto gosto de você exatamente do jeito que você é, sem tirar nem pôr", quis responder. E para não se sentir vulnerável - e talvez sensível demais por gestos tão pequenos - apenas respondeu:

- Por motivo nenhum, já está tudo bem.

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