domingo, 31 de agosto de 2025
and we'll leave it there
terça-feira, 29 de julho de 2025
O silêncio que pesa
Tenho andado em círculos dentro de mim,
como quem procura um fim que já foi decidido.
As palavras que antes nos costuravam
hoje parecem agulhas,
pontiagudas demais para segurar qualquer tecido.
Você me olha, mas não me vê inteiro.
Desviei o olhar mil vezes, esperando um gesto,
mas seu toque agora parece cálculo,
como quem mede a distância antes do adeus.
Fui abrindo espaço no peito,
acomodando suas ausências,
desenhando limites para não invadir
o território do seu incômodo.
Mas a cada tentativa, o chão sumia —
e você sumia com ele.
Sim, dei tudo.
Não como barganha, mas como quem ama
e acredita que amar ainda vale.
Mas percebo:
a dúvida não mora em mim.
É em você que o eco ressoa mais alto,
é em você que a entrega virou peso,
é em você que as peças deixaram de se encaixar.
E eu não posso viver de quase,
nem de promessas ditas em silêncio.
Viver de liberdades parceladas
é se aprisionar em dores não navegadas.
Então vá — se for pra ir.
Mas vá de verdade.
Ou fique — se for pra ficar.
Mas fique para transcender
o que já sou
e o que já fomos.
quinta-feira, 17 de abril de 2025
Eis
Calmaria por fora, furacão por dentro.
Eis sol. Céu. Terra. Ar. Fluido.
Eis ternura que persiste, mão firme que sustenta.
Eis compreensão, acolhimento sem medida.
Eis mansidão. Suavidade que envolve.
Eis transformação. Quebra necessária.
Eis revolução. Paz e guerra dançando.
Eis amor — em cada parte, cada ação, cada célula.
Não há sombra de dúvida para quem se vê.
Que tuas sombras sejam alicerce para tanta luz.
Mais um ciclo deste universo que em ti habita
e transborda, infinito, em nós.
Que ele siga abençoado,
e eu, em gratidão,
por tua existência que me acalenta.
Acredita em tudo o que és.
Na força que brota de ti,
ávida por se revelar.
Sente o amor que te habita
e aquele que te cerca —
especialmente o meu,
sempre teu.
Para o aniversário de um grande amor, B.
terça-feira, 28 de março de 2023
segunda-feira, 25 de abril de 2022
3 em 1
Um.
Em 2017, após um término de relacionamento, eu ouvi pela primeira vez as músicas do compositor Ólafur Arnalds e desde então suas composições conseguem chegar em lugares e memórias que eu sequer sabia da existência.
Sem precisar de uma palavra sequer, a sua melodia me teletransporta para dentro de mim e para a expansão do universo ao mesmo tempo. Se mágica existe com certeza esse é um belo truque que desenvolvi.
Por mais que eu não consiga fazer os outros sentirem o que eu sinto ao ouvir suas músicas, vez ou outra uma composição instrumental é personificada em alguém ou alguma época de vida.
Dois.
Constantemente, desde os meus 8 anos, sinto que pertenço a outro lugar... e sequer digo dentro do planeta Terra. Como uma eterna saudade de um momento que já vivi. Não sei detalhar, mas esse saudosismo aumenta quando encaro as estrelas. Sigo contando os anos que esse fascínio faz parte de mim, como um órgão vital.
Três.
Ontem finalizei uma série chamada 'Heartstopper'. Sem muitos spoilers, mas é sobre descobrir a orientação sexual na adolescência, com todos os conflitos internos e externos dentro do ambiente escolar.
Várias lembranças imediatamente surgiram e que foram guardadas, e que hoje consigo analisar e abraçar com afeto. Confesso que chorei em muitos momentos, pois os sentimentos que tive se espelharam nas cenas e vi a Lorena dos 10 aos 20 e poucos anos.
Lembranças como a primeira menina que me apaixonei sem nem saber o que era paixão.
Como eu descobri o significado da palavra homossexualidade e a sensação de pertencimento, alívio e desfecho naquele momento. Até então não sabia que iria sofrer com o preconceito, apenas me senti leve em finalmente por nome ao que eu sou.
O nervosismo em conversar com a primeira menina da escola que gostei, seja por MSN ou pessoalmente.
As festas que ia para encontrá-la e principalmente aquela à fantasia onde tive meu coração partido pela primeira vez ao vê-la com outra pessoa... e como ele se recompôs tão facilmente quando minutos depois quem estaria com ela seria eu.
Os seus perfumes e os meus.
Os momentos de reflexão e tristeza em cada lugar da escola: nas quadras de esporte logo cedo quando fazia uma neblina fria, no pátio onde ela posteriormente iria me pedir em namoro e no mesmo dia terminar, na sala da diretoria onde eu parei depois de desmaiar de ansiedade ao vê-la pós término, nos banheiros que matávamos aula para ficar juntas. Apesar de precoce dos 11 aos 13 anos, foram os sentimentos mais intensos que já tive.
Lembrei como se fosse ontem dos piores dias que sequer conseguia sair da cama sem estar deprimida e ter que enfrentar o mundo. E a sensação de dor no peito, como se um músculo tivesse sido rompido. Na minha cabeça não transparecia o quanto era pesado carregar tudo isso, mas se de alguma forma consegui expor tanto as partes boas quanto as ruins, tenho certeza que preencheria mais de 20 escolas daquela.
Vi também a primeira vez que me disseram "eu te amo" de uma forma romântica. E o quanto aquilo foi importante e impactante pra mim. Uma surpresa sem igual. Debaixo do prédio da 306 Sul, dentro de um abraço, taquicardia instantânea.
E também revivi o momento onde quis afastá-la por sentir que eu estaria a atrapalhando ou dificultando sua vida, uma vez que ela não era assumida. Por sorte fui convencida do contrário e demorou até nos separarmos de verdade.
Toda essa nostalgia para me fazer olhar pra trás e ter orgulho de tudo isso. Dos processos, da intensidade, das novidades, das pessoas, e, principalmente, de mim.
Permaneço sobrevivendo e seguindo em frente. Por mais que olhar pra trás ajude muito a entender quem somos agora e o que precisamos ter enfrentado pra estarmos aqui hoje.
Mal posso esperar para as próximas nostalgias e demais memórias guardadas que virão à tona. Afinal, recordar é viver e nos faz o ser único que somos.
sexta-feira, 25 de março de 2022
Feel the magic
Can you feel it?
Taking us to another dimension.
In motion.
Filling the eyes, the soul, the fullness.
Opening reflections
and closing with understanding
of the past; present and future; as they are one thing only.
It's part of me now.
And it will be heard in other places; lives; wherever I go.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2021
Solta aqui - perde lá
O medo de um fim sempre foi real.
Fim
da vida
da relação
do contato
da memória.
Até que o medo de acabar interfira no modo de viver o presente.
E de fato acaba... perdendo o que vale a pena ser mantido.
Só então perceber que soltar, acabar, finalizar
não é sinônimo de vazio.
Mas perder... aí sim, é um vazio.